Filosofia do Moodle

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O desenho e desenvolvimento do Moodle é guiado por uma filosofia de aprendizagem especial, um modo de pensar sobre o qual são encontradas referências, em poucas palavras, como uma "pedagogia socioconstrutivista". (Alguns dos leitores, académicos, já podem estar a pensar "baboseireas sobre educação barata" e a mudar de site, mas por favor continue a ler - poderá ser útil em diversas áreas de interesse!).

Esta página tenta explicar de modo simples o que a frase significa, analisando quatro conceitos principais que estão por trás dela. Repare que cada um deles sintetiza uma visão baseada numa quantidade imensa de pesquisas diferentes, de modo que estas definições podem parecer demasiado simplistas se já leu sobre o assunto antes.

Se estes conceitos são completamente novos para si, então é provável que estas ideias sejam difíceis de entender da primeira vez que as ler - tudo o que podemos recomendar é que leia cuidadosamente, enquanto pensa sobre a sua própria experiência ao tentar aprender algo.

Construtivismo

Este ponto de vista sustenta que as pessoas constroem novos conhecimentos ativamente, na medida em que interagem com o seu ambiente.

Tudo o que lê, vê, escuta, sente e toca é confrontado com seu conhecimento anterior e se estas experiências forem viáveis dentro de seu mundo mental, formarão um novo conhecimento que irá carregar consigo. O conhecimento é fortalecido se puder usá-lo sucessivamente no seu ambiente mais amplo. Você não é apenas um banco de memória absorvendo informação passivamente, nem o conhecimento lhe pode ser "transmitido" apenas por ler alguma coisa ou ouvir alguém.

Isso não significa que não consiga aprender nada da leitura de uma página na web ou assistindo a uma palestra. O que estamos a tentar realçar é que ocorre mais interpretação do que transferência de informação de um cérebro para outro. Para mais informção sobre a teoria do construtivismo, consulte a Wikipedia

Construcionismo

O Construcionismo defende que a aprendizagem é particularmente efectiva quando constrói alguma coisa para outros experienciarem. Isso pode ser qualquer coisa desde uma frase falada ou uma mensagem na internet, até artefactos mais complexos como uma pintura, uma casa ou um pacote de software.

Por exemplo, pode ler esta página várias vezes e ainda assim esquecê-la, mas se tiver de tentar explicar estas ideias com as suas próprias palavras a outros, ou produzir uma apresentação em slides explicando estes conceitos, então a investigação diz que terá uma compreensão melhor e mais integrada. Esse é o motivo porque as pessoas fazem anotações durante as aulas, mesmo que nunca leiam as anotações novamente. Veja-se os trabalhos de Papert para mais informação relevante.

Construtivismo Social

Este conceito estende as ideias acima para um grupo social construindo coisas umas para as outras, criando, de forma colaborativa, uma pequena cultura de objetos compartilhados, com significados compartilhados. Quando alguém é introduzido dentro de uma cultura como esta, está a aprender constantemente sobre como ser uma parte dessa cultura, a vários níveis.

Um exemplo bem simples é um objecto como um copo. O objecto pode ser usado para muitas coisas, mas o seu formato sugere algum "conhecimento" sobre conter líquidos. Um exemplo mais complexo é um curso on-line: a "aparência" das ferramentas do software não apenas indica determinados aspectos de funcionamento do curso, mas também as actividades e textos produzidos dentro do grupo como um todo, que ajudarão a moldar como cada pessoa se comporta dentro desse grupo.

Comportamento Conectado e Separado

Esta ideia observa mais a fundo as motivações das pessoas numa discussão. Comportamento separado é quando alguém tenta permanecer 'objectivo' e 'factual', e tende a defender suas próprias ideias usando a lógica para encontrar furos nas ideias dos seus oponentes. Comportamento conectado é uma abordagem mais empática que aceita a subjectividade, tentando ouvir e fazer perguntas num esforço para entender o ponto de vista do outro. Comportamento construído ocorre quando uma pessoa é sensível a ambas as abordagens e é capaz de escolher uma delas como apropriada à situação em que se encontra.

Em geral, uma quantidade saudável de comportamento conectado dentro de uma comunidade de aprendizagem é um estimulante poderoso para a aprendizagem, não apenas aproximando as pessoas mas promovendo reflexões mais profundas e re-exame das crenças existentes.

Conclusão

Reflectindo sobre estas abordagens ao ensino-aprendizagem, poderemos passar de um modelo passivo, de delivery, para um ensino mais centrado no aluno, baseado no que este faz, no seu papel enquanto problem-solver e indivíduo social que aprende com os outros. Pode também ajudá-lo a entender como cada participante de um curso pode ser tanto um professor como um aluno. Várias linhas de investigação têm apontado neste sentido (veja-se por exemplo o Relatório Enhancing Science Engineering in Harvard ou o trabalho de Jo Handelsmann nesta área) realçando o papel do aluno na aprendizagem. Este pode ser um influenciador e modelo exemplar da cultura da classe, ligando-se aos alunos de um modo pessoal que detecta as suas necessidades de aprendizagem, e facilitando discussões e actividades de um modo que leve os alunos, colectivamente, em direção aos objetivos de aprendizagem da classe.

Obviamente o Moodle não força este estilo de comportamento, foi feito para o optimizar. No futuro, à medida que a infraestrutura técnica do Moodle se for tornando mais estável, promover avanços de cariz pedagógico será a principal direcção de desenvolvimento.


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